DECLARACIÓN DE LISBOA
DE LOS PERIODISTAS EN LENGUAS IBÉRICAS
I
Los representantes de las organizaciones de periodistas de los países de lenguas
ibéricas, procedentes de África, América y Europa, reunidos en Lisboa los días 2 y 3
de marzo de 1998, evaluaron las diferentes experiencias y realidades de sus países e
identificaron aspiraciones y soluciones que les son comunes. Por ello entienden que:
- Es imposible garantizar un Nuevo Orden Mundial de la Información sin construir un Nuevo
Orden Económico Mundial más justo.
- Entre tanto, los pasos dados para erigir un Nuevo Orden Informativo pueden ayudar a
romper el cerco del actual orden económico, cultural y lingüístico.
- La concentración monopolista y la marginación ideológica son los adversarios
principales de un Nuevo Orden Mundial de la Información y de ellos se desprenden, en
grados diferentes y en los diferentes países, situaciones de:
- falsa noción de la libertad y del pluralismo en la información dada por la diversidad
de órganos de información que, entre tanto, se mantienen en el mismo terreno ideológico
y de intereses económicos,
- aislamiento informativo de las naciones más pobres,
- silenciamiento de la vida y los intereses de grandes capas de la población y creación
de situaciones de marginalidad insostenible o incluso persecución de las minorías más
desfavorecidas,
- privilegio de las clases altas y poderosas en el acceso a la información, sea para
recibir, para producir, o asimismo para ser tema de noticias,
- estrangulamiento de los órganos de información no sintonizados con la ideología o los
intereses dominantes,
- precarización profesional y degradación de las condiciones contractuales de los
periodistas,
- deficiente preparación técnica y profesional de los periodistas y atraso tecnológico
cada vez mayor, y de más difícil recuperación, en relación a las fuerzas dominantes,
- persecución institucional, o simplemente mafiosa, que llega hasta la prisión, la
tortura y el asesinato de periodistas,
- debilitamiento de las estructuras asociativas y de defensa de los periodistas.
II
Ante este cuadro, los representantes de las organizaciones de periodistas de los
países de lenguas ibéricas entienden que es necesaria una respuesta colectiva y
articulada en varios niveles:
- Es indispensable que se desarrollen políticas y se encuentren soluciones concretas para
impedir, en cada país, el monopolio o la dominación ideológica de la información,
estando claro que, en los países en los que resulte indispensable una intervención
reguladora del Estado, ésta no se confunda nunca con una interferencia en los contenidos
informativos.
- Es imperativo que los periodistas de los distintos países creen o refuercen sus
organizaciones sindicales y profesionales como garantes de la lucha por la libertad de
información, de la defensa de los derechos humanos en todo el mundo y de su solidaridad
nacional e internacional.
- Es fundamental que los periodistas organicen redes internacionales de contacto y de
actualización informativa y profesional, recurriendo a medios más amplios que vayan
desde reuniones más frecuentes a una utilización común de las páginas de Internet.
- Es preciso que los periodistas luchen por la creación y desarrollo de órganos de
información comunitarios, donde sea necesario, como forma de contrapoder a la dominación
de grandes grupos y para perfeccionar las condiciones de calidad de su producción.
- Es urgente luchar por una mejor formación profesional y por un intercambio de la
cooperación que permita suplir las carencias nacionales en este campo.
- Es prioritario instar, junto a los responsables de los grandes medios ibéricos de
difusión internacional, especialmente a las agencias de noticias, a las radios y a las
televisiones de alcance internacional por satélite, para que garanticen su especial
responsabilidad en el intercambio de una información marcada por el respeto a muchos
millones de ciudadanos que integran los países de lenguas ibéricas.
- Es imperativo que los periodistas luchen por la democratización de las redacciones y
por el aumento de sus derechos de participación colectiva.
- Y por encima de todo, importa desarrollar todos los medios para llevar adelante los
proyectos informativos necesarios y adecuados para dar cumplimiento al objetivo esencial
de la libertad de información: difundir y hacer circular los hechos y opiniones sin los
cuales un electorado democrático no está habilitado para formular juicios responsables.
DECLARAÇÃO DE LISBOA
DOS JORNALISTAS DE LÍNGUAS IBÉRICAS
I
Os representantes das organizações de jornalistas dos países de línguas ibéricas,
procedentes de África, América e Europa, reunidos em Lisboa nos dias 2 y 3 de Março de
1998, avaliaram as diferentes experiências e realidades dos seus países e identificaram
aspirações e soluções que lhes são comuns, pelo que entendem que:
- É impossível garantir uma Nova Ordem Mundial da Informação sem construir uma Nova
Ordem Económica Mundial mais justa.
- No en tanto, os passos dados no sentido de erguer uma Nova Ordem Informativa podem
ajudar a romper o cerco da actual ordem económica, cultural e linguística.
- A concentração monopolista e a exclusão ideológica são os principais adversários
de uma Nova Ordem Mundial da Informação e deles decorrem, nos diversos países e em
diferentes graus, situações de:
- falsa noção de liberdade e de pluralismo da informação dada por uma diversidade de
órgãos de informação que, no entanto, se mantêm no mesmo quadrante ideológico e de
interesses económicos;
- isolamento informativo das nações mais pobres;
- silenciamento da vida e interesses de grandes camadas da população e criação de
situações insustentáveis de marginalidade ou até perseguição às minorias
desfavorecidas;
- privilégio das classes altas e poderosas no acesso à informação, quer para a
receber, quer para a produzir, quer ainda para ser tema de notícias;
- estrangulamento de órgãos de informação não sintonizados com a ideologia ou
interesses dominantes;
- precarização profissional e degradação das condições contratuais dos jornalistas;
- deficiente preparação técnica e profissional de jornalistas e atraso tecnológico
cada vez maior e de mais difícil recuperação em relação à forças dominantes;
- perseguição institucional ou simplesmente criminosa, que chega à prisão, tortura e
assassínio de jornalistas;
- desagregação das estruturas associativas e de defesa dos jornalistas.
II
Perante este quadro, os representantes das organizações de jornalistas dos países de
línguas ibéricas entendem ser necessária uma resposta colectiva e articulada nos
vários graus:
- É indispensável que se desenvolvam políticas e se encontrem soluções concretas no
sentido de impedir, em cada país, o monopólio ou a dominação ideológica da
informação, sendo certo que, nos países onde se torne indispensável uma intervenção
reguladora do Estado, ela nunca se confunda com uma interferência nos conteúdos
informativos.
- É imperioso que os jornalistas dos diversos países criem ou reforcem as suas
organizações sindicais e profissionais como garantes da luta pela liberdade de
informação, da defesa dos dereitos humanos em todo o mundo e da sua solidariedade
interna e internacional.
- É fundamental que os jornalistas organizem redes internacionais de contacto e de
actualização informativa e profissional, com recurso a meios tão vastos que vão desde
reuniões mais frequentes à utilização comum de páginas na Internet.
- É preciso que os jornalistas se batam pela criação e desenvolvimento de órgãos de
informação comunitários, onde necessário, como forma de contrapoder à dominação de
grandes grupos, e aperfeiçoar as condições de qualidade da sua produção.
- É urgente lutar por uma melhor formação profissional e por um intercâmbio de
cooperação que permita suprir carências nacionais neste campo.
- É prioritário instar junto dos responsáveis pelos grandes meios ibéricos de difusão
internacional, nomeadamente as agências noticiosas, as rádios e as televisões de
alcance internacional por satélite, para sua especial responsabilidade em garantir o
intercâmbio de uma informação que diga respeito aos muitos milhões de cidadãos que
compõem os países de línguas ibéricas.
- É imperativo que os jornalistas se batam pela democratização das redacções e pelo
aumento dos seus dereitos de participação colectiva.
- Acima de tudo, importa desenvolver todos os meios para levar por diante os projectos
informativos necessários e adequados a dar cumprimento ao objectivo essencial da
liberdade de informação: difundir e fazer circular factos e opiniões sem os quais um
eleitorado democrático não está habilitado a fazer juízos responsáveis.
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